Atores criam personagens humanos e virtuais em nova experiência cinematográfica

Projeto inaugura modelo colaborativo onde intérpretes também atuam como criadores narrativos.

No cruzamento entre cinema, tecnologia e criação autoral, Infinite Waters Within the Shadows propõe uma nova forma de atuação: atores não apenas interpretam personagens, mas participam ativamente de sua criação — inclusive no desenvolvimento de entidades virtuais.

O projeto faz parte de uma iniciativa da WorldPrix que reúne equipes artísticas para desenvolver universos narrativos colaborativos, onde personagens humanos e de inteligência artificial nascem a partir de referências pessoais, inquietações criativas e reflexões sobre identidade e consciência.

Nesse contexto surgem personagens como Helena, Evy e o Espectro — entidades desenvolvidas por atores a partir de suas próprias visões criativas, ampliando o conceito tradicional de atuação e apontando novos caminhos para o cinema contemporâneo.

Orion - Rafael Holanda

Rafael Holanda é Ator Internacional e CEO da WorldPrix. Com passagem pelo mercado corporativo em big four, atuando na área de Industrial Markets, decidiu migrar para o cinema ao perceber a necessidade de novos modelos criativos e produtivos na indústria audiovisual.

Hoje, desenvolve projetos que unem atuação, narrativa cinematográfica e inteligência artificial, explorando formatos inovadores de produção e autoria. À frente da WorldPrix, trabalha na formação de criadores e na construção de filmes que investigam tecnologia, consciência e futuro, utilizando a IA como ferramenta criativa — e não como substituição artística.

“Criar um curta-metragem de aproximadamente 10 minutos com cenas limitadas a 8 segundos exigiu uma abordagem narrativa extremamente precisa. O desafio não era apenas técnico, mas criativo: construir emoção, desenvolver personagens interpretados por atores reais, sustentar diálogos coerentes e estabelecer um arco narrativo claro, com superobjetivo definido, dentro de uma estrutura fragmentada.

A proposta foi buscar o máximo de realismo possível — nas falas, nas reações e na presença dos personagens — mesmo diante das limitações impostas pelo formato e pelas diretrizes do próprio festival, realizado em Dubai. Cada decisão criativa precisou equilibrar restrição e intenção, transformando limites técnicos em escolhas narrativas conscientes.”

O Espectro nasce de uma inquietação conceitual ligada à ciência contemporânea. Segundo Rafael Holanda, produtor do projeto e criador do personagem, a ideia surgiu a partir de um conteúdo científico que mencionava a existência de uma “sombra” capaz de assumir novas formas e se reorganizar.

“Ouvi uma informação sobre um fenômeno estudado por cientistas — algo que toma forma e se reproduz. Aquilo ficou comigo e despertou uma pergunta criativa: como transformar essa ideia em narrativa?”

A partir desse ponto de inflexão, o conceito foi desenvolvido ao longo de semanas de reflexão e escrita, buscando um personagem que não funcionasse apenas como elemento visual ou antagonista tradicional, mas como parte estrutural do universo do filme.

No longa, o Espectro representa um fenômeno ligado ao tempo, à consciência e às consequências das escolhas humanas. Sua presença provoca tensão, questionamento e deslocamento, conduzindo o protagonista — e o público — a refletir sobre aquilo que ainda não foi compreendido.

Mais do que um personagem, o Espectro se estabelece como um símbolo narrativo: uma manifestação do desconhecido que emerge quando tecnologia, energia e humanidade entram em desequilíbrio.

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